Ideia do Dia

sexta-feira, julho 07, 2006

Quando um casamento é mais do que uma relacao a dois

Até que ponto, um casamento é só o compromisso de duas pessoas?
Porque depois da cerimónia em si, surge muito mais que um marido e uma mulher, existe então, na maior parte dos casos, cunhados, cunhadas, sogro, sogra, novos primos e primas, tios e afins. É toda uma nova família que surge. Podemos gostar dela ou não, mas a partir do momento que entramos num casamento, entramos também numa nova família!
Tenho tido experiências de vida boas e más, em relação a isso. Há pessoas com quem me dou muito bem e gosto de pertencermos à mesma família, e tenho outras, com as quais nem sequer tenho contado ou simplesmente prefiro evitar.
Quando tinha apenas 8 ou 9 anos, entrou na nossa família o primeiro "cunhado", na altura ainda não oficial, mas foi o primeiro namoro a sério da minha irmã, tiveram um namoro de quase dez anos, ele começou a fazer parte da minha família como as minhas próprias irmãs...
Casaram!
A partir daí era oficial, ele fazia parte da nossa família e nós da dele, ele era o irmão que nunca tive e eu era a sua maninha que nunca tinha tido... Não me lembro de festa ou celebração, em que não tivéssemos todos reunidos... Era tudo tão natural...
Por vezes tínhamos atritos, como existem também entre irmãos, mas éramos todos muito unidos...tendo por vezes o P. feito pequenas cenas de ciúmes pela nossa relação tão chegada... até que por estas ou outras razoes o casamento deles terminou ao fim de oito anos...
E depois?
Divórcio!
Do casal e em parte da família...
Vi-o mais duas ou três vezes nestes últimos quatro anos... Ainda esteve no baptizado do Henrique, mas depois o contacto foi desaparecendo, era doloroso para ele e para nós...
Deixou de atender os nossos telefonemas pelo aniversário ou outras datas importantes...
No ano passado encontrei a mãe dele... vieram-lhe as lágrimas aos olhos, quando eu lhe mostrei os pimpolhos... também para ela eu fazia parte da família... como é que desaparece assim tudo?
A minha irmã vive uma nova relação, é feliz... mas eu por mais que tente, não o consigo aceitar, como aceitei o primeiro... é difícil, abrir de novo o coração e a alma para outra pessoa daquela forma.
Tem um divórcio que destruir tudo assim desta maneira!!??
Também o casamento dos meus pais, que terminou ao fim de quase 32 anos (já tinha terminado à muito, mas a ruptura final e o divórcio em si, foi mesmo nessa altura), mudou tudo...
Como a ruptura teve de ser total, pois o meu pai nunca a aceitou e bastava qualquer pequena desculpa para haver banzé, ninguém ficava confortável com essa situação... Mas a minha mãe continua a ser muito bem recebida pela família "dele", e continuou de uma forma natural a ser a tia, a cunhada, não mudou nada...
Até que ponto uma família se decompõe por causa de um divórcio!!??
São as feridas tão fundas que é impossível manter uma relação normal, além do casal!!??
São certamente situações onde cada caso é um caso...
Mas para ser sincera, não sei se agora era capaz de retomar uma "relação normal" com o meu antigo cunhado? Assisti a muita coisa, que directamente não me atingiram, mas sim pessoas que eu amo muito... não sei se era capaz de deitar tudo para detrás das costas...
Passou muito tempo...
Posso agora olhar com um pouco mais de distância para os acontecimentos, e não mais com o coração, como na altura, mas as recordações que ficaram, não se apagam assim de um momento para o outro, como se nada tivesse acontecido...
Está-me a custar um pouco escrever isto, não estou completamente à vontade e solta para o fazer... sei que a minha irmã vai ler isto, e não imagino qual será a sua reacção... mas muito mais do que falar do divórcio deles, que só a eles diz respeito... estou a falar do divórcio dele connosco e vice-versa, e esse divórcio mexeu muito comigo na altura... e agora está a mexer outra vez... Não é minha intenção magoar-te maninha, com este meu texto, mas sim despejar a minha alma desta minha "dor"... Foi para isto que criei este meu cantinho, e que o quis também partilhar contigo...espero que me entendas...

Até à próxima.

8 comentários:

carla disse...

Querida Mamaíta, (Se é que te posso tratar assim)
Entento tudo o que dizes, e a minha mais sincera opinião é que a vida são 3 dias e o caminho da felicidade deve ser ncessantemente procurado. Eu sou a primeira a apoiar de que quando as coisas não estão bem e se a relação não nos faz feliz devemos partir para outra (custe isso o que custar). E é claro mamaíta que qdo estamos "casados" com mais do que o nosso marido/mulher ou seja familia as coisas são muito mais complicadas.
Se a tua irmã não estava feliz e se agora sim atingiu a felicidade, não achas que valeu apena, independente/ do que isso implicou?
E deve ser complicado manter o teu "cunhado" na familia como se nada fosse!
bjos e sê feliz

Mamaíta disse...

Morango
Eu acho que me exprimi mal, o problema nao é o divórcio deles, porque sei que tinham problemas e que as coisas nao podiam ter continuado, nao é isso que eu ponho em causa, nao é o divórcio deles que eu ponho em causa, mas sim a outra relacao... e o facto de saber por portas travessas de que ele sente a minha falta em particular... Isso neste momento é que por um lado me deixar feliz, me magoa... porque durante estes quatro anos nunca senti qualquer aproximacao da parte dele, e nao sei sequer qual seria a minha reaccao se ele tentasse... nao sei sequer comovou reagir a isto...
Sinto-me confusa e baralhada...
Mas obrigado na mesma pelo teu apoio e o teu comentário.
Beijinhos :)

Barriguita disse...

De certo modo, percebo as tuas palavras. Acredito que há pessoas que não são família que às vezes conseguem ser mais que isso... ultimamente a vida encarregou-se de me provar que não são os laços familiares que contam acima de tudo. O que conta, na minha opinião, são as atitudes.
Percebo o que sentes. Quando há um divórcio, perde-se bastante. e tu, apesar de estar segura que a felicidade da tua irmã é o mais importante, acabaste por perder alguém que te dizia muito, que sempre fez parte da tua vida. Mas é normal isso acontecer. Não deveria ser, mas é.
O que eu penso é: o casamento da tua irmã acabaou, mas a relação que tu tinhas com o seu ex-marido não tinha de terminar também. infelizmente, a nossa sociedade não entende o que "foje à chamada normalidade". Eles divorciaram-se, mas tinhas tu também de te "divorciar"??
Não tenho a relação que sempre esperei ter com a família do meu marido. Uma das coisas que mais me magoa é saber que, o que quer que ele me faça, por mais sacana que um dia possa ser comigo, ele é que terá sempre razão. A minha sogra encarrega-se de dizer isso: aliás, diz que reza sempre pelas filhas, pelo filhos e pelos netos... os genros e as noras não lhe pertecem!
Isto faz-me confusão... a minha mãe tata o meu marido como se fosse um filho. e eu, depois de 6 anos de namoro e quase 3 de casamento, continuo a ser tratada como uma estranha.
O que acho é que a vida é demasiado curta para não estarmos com as pessoas de quem gostamos. e a tua irmã não tem que ficar chateada por isso.

Gina A. disse...

Acho que a tua irmã compreende as tuas razões, assim como tu deves compreender as dela... é difícil aceitar outra pessoa no lugar de alguém que já lá esteve e com quem se criaram laços fortes, mas tens que pensar que o teu novo cunhado não tem culpa do que se passou e merece igualmente o vosso carinho e aceitação!

Desculpa a minha sinceridade e não gosto muito de comentar estas coisas, pois acho que são assuntos muito delicados e que merecem todo o meu respeito! Fizeste bem em desabafar e espero que tudo fique bem!

Beijinhos

Elora disse...

Percebo perfeitamente o que sentes, uma vez que também tenho irmãs e uns quantos ex-cunhados. O último custou-me imenso quando a relação deles terminou e resolvi o problema mantendo a amizade que tinha com ele. Consegui fazê-lo por duas razões: A nossa amizade era anterior à relação deles e ela não foi a parte magoada da relação. Não me parece que possas dizer o mesmo.
Quanto aos outros ex-cunhados: fulano que magoe a minha irmã (qualquer que ela seja) é um alvo a abater.
Aliás, nas minhas gravidezes costumo sonhar (de forma recorrente)que dou uma sova num deles...

Anónimo disse...

Eu compreendo perfeitamente o que sentes e aposto que a tua irmã tb vai compreender.
Se o teu excunhado é boa pessoa força acho que deves lutar por continuar a dar-te com ele.
O caso da Elora é o mesmo...o ex cunhado que é boa pessoa, até eu me continuo a dar com ele e adoro-o.O outro que é um monstro, tb lhe tenho vontade de bater...
Por isso quanto aos ex cunhados, tudo depende do seu caracter e da relação que temos com eles !
Bjs
Teresa

DIV de divertida disse...

Da mesma forma que nos casamos com o resto dafamília além do mais que tudo, também no divórcio acontece o mesmo. é natural, as pessoas tomam as dores umas das outras...
Por ex. como pode uma mãe entender que a avó paterna passe 4 meses sem telefonar a perguntar pela neta pequenina?? e depois questione porque não a visitamos nas 3 vezes que nos deslocamos à terra onde vive que por acaso é a terra onde a mãe tem toda a sua família??

Por outro lado, posso adiantar que uma das minhas melhores amigas é a irmã de um ex. e porquê? porque ela não tomou as suas dores, porque foi imparcial, porque entendeu o que se passou (essencialmente pq nunca entrou no diz que disse), porque era minha amiga independentemente da ligação parental o porque gosta de mim.

Como vês há de tudo. Se as relações forem realmente gratificantes não se desmancham. Subsistem.

Cigana do Mar disse...

Se tens vontade de falar sobre o assunto deves faze-lo.
Em relação aos ex cunhados, eles no meu ver só entram na lista negra quando fazem mal aos nossos pais, irmãs e sobrinhos. Caso contrario não podem ser classificados como monstros. O ser humano perfeito não existe.
Acho que deves apoiar a tua mana nesta nova fase da sua vida, e torcer para que esta felicidade dure por mto tempo. O teu novo cunhado é uma questão de tempo, não lhe podes é fechar a porta…. Ele não tem culpa de se ter interessado por a tua irmã e tb não te culpa de o casamento dela ter acabado.
Tens de ver por o lado positivo, ela tá feliz.
Kiss